Eu tenho tanto medo de me deixar sentir tudo aquilo de novo, de perder o controle, de sentir tanto a ponto de aceitar coisas que em sã consciência e ouvindo a voz da razão eu não aceitaria nem se me pagassem. Eu tenho medo de mais uma vez gostar tanto a ponto de aceitar de volta o que me faz mal porque a falta disso me faria mais mal ainda, e esse medo ao mesmo tempo que me protege, ele me prejudica, me faz viver nesse conflito interno entre razão e emoção, me faz viver no dilema de querer abrir meu coração mais uma vez e ficar, porque eu quero você, mas ter medo disso não dar certo e por isso, querer fugir; me faz querer apagar cada faísca de sentimento que surge porque sinto medo dela ser tão forte a ponto de me queimar.
Sentada na cama pronta para acender um dos meus cigarros de menta, janela aberta e um vento frio que parecia varrer todo meu interior.
Trago.
Já era tarde e eu não tinha ideia do que estava esperando, apenas sentia um imenso vazio dentro da vastidão que é o meu universo particular. Coloco fogo em um de meus inúmeros incensos, e combino minhas essências preferidas.
Trago.
E tento não pensar em você, consequentemente, aspiro.
Simbolizo seu perfume, encarno em nossos desejos mais insanos, e me perco mais uma vez em meio a fumaça do meu quarto.
Trago. A esperança de receber um sinal seu, o mínimo de amor, algo que não se transforme em dor !
Engasgo.
Com o coração na mão e uma lágrima escorrendo, me entrego
me descubro,
E aos poucos toda calmaria que vem do cigarro me abraça e o vento frio leva minha ansiedade pra longe por algumas horas. Logo,
Apago.
❤